Talvez eu seja culpada mesmo, por ter deixado a situação chegar nesse patamar e não ter dado um basta quando aconteceu sua primeira palhaçada.
Talvez eu seja culpada mesmo, por achar todas as vezes em que a gente voltada, que daquela única e mísera vez seria diferente, para que eu pudesse provar a mim mesma que eu não estaria errada novamente.
Talvez eu seja a culpada por ter passado por cima de tantos princípios que eu regrava dentre as suas atitudes infantis que acabou passando como se eu fosse conivente com tudo o que você fazia. Pode ser também que eu seja culpada por tentar mudar em você uma coisa que nunca vai acontecer, ou ao menos eu espero que aconteça pra sua vida: a sua maturidade, uma maneira mais justa, digamos, de observar o que se passa. Sei que em muitas horas eu não sou a melhor pessoa pra falar de tal maturidade, mas pode ter certeza que, depois de tudo o que eu passei, sou uma mulher sem comparações com o que eu era à tempos atrás.
Talvez você seja o palhaço mesmo, parecendo brincadeira o que fazia comigo e com o que eu sentia, como num circo e as atenções todas voltadas a você, que você fazia o que queria comigo, me chutava e me acariciava ao mesmo tempo, me humilhava mas também me dava carinho de um jeito que ninguém da platéia poderia te chamar de vilão. Mas é que talvez, senhor palhaço, eu tenha cansado de ver suas brincadeiras, suas mágicas de aparecer e desaparecer, sua indiferença de sair do palco e me largar em frente a platéia como se eu fosse aquele tigre domado esperando por uma chicotada para fazer o próximo número.
Pode ser também que você esteja deslumbrado, senhor palhaço, com todos os seus companheiros palhaços também que fazem seu show no picadeiro, e talvez não entenda que uma amizade não substitui o valor que um amor tem, seus amigos palhaços não vão te mostrar tudo o que eu pude nesses três anos.
Talvez um dia quando todos forem embora, quando todos cansarem do seu show e você ver que está sozinho, você perceba que o mais importante não é mostrar aos outros que você é capaz de ir de colo em colo procurando um amor que você nunca vai achar, porque em três anos talvez ele tenha sido um pouco teu, mas não foi por completo como eu queria que fosse. Mas eu tenho a certeza, de que se você se importasse tanto assim como você fez aquele draminha de ontem, talvez se você visse suas atitudes causando impacto alem do seu umbigo, teria percebido que só chegamos aqui hoje, cansados, por causa de tantas atitudes impróprias suas, de tantas vezes que eu tentei colocar meu ponto de vista, pode ser que do jeito errado, e você me “esculachava”, me colocava de baixo do tapete e eu sempre aceitando a situação. Mudei meu egoísmo ontem também, não deixei o aniversário do meu melhor amigo acabar porque o meu mundo tava acabando. Mas agora não é a hora de eu me fazer de vítima, não é a hora de eu ser a coitadinha.
É a hora, senhor palhaço, de eu tomar um rumo da minha vida, sem você ou não. É a hora de eu mostrar que seu animal de circo não é tão domesticado assim, e que uma hora a verdadeira essência se mostra como um instinto, mascarado por tempos, machucado, ferido sem orgulho, mas ainda remanescente. Espero, senhor palhaço, que um dia chegue ao seus propósitos, sonhar tudo aquilo que eu sonhei pra nós, todos aqueles devaneios que um dia chegaram a tomar meu tempo, mas hoje se recusam a tomar minha mente tamanha indignação.
Talvez sejamos culpados por tudo aquilo que plantamos sem perceber, e pode ser que nossos corações, que um dia foram um só, não sejam mais capaz de perdoar atitudes tão ínfimas, mas que acabam por tomar um tamanho sem dimensões.
Espero que um dia você perceba que a vida está além de você, e que as suas atitudes refletem em outras pessoas, sejam as suas atitudes boas ou ruins.
É com muito infortúnio que eu te escrevo isso, em resposta talvez do que você tenha escrito à mim, mas pode ter certeza, que no dia que seu mundo acabar como o meu um dia acabou, no dia que você ver que ainda vale a pena nossa história, eu estarei aqui pra conversarmos como pessoas adultas, e não como crianças que trocam farpas indiretamente, quando o que estamos fazendo é machucarmos a nós mesmos. Boa tarde